Antes de iniciarmos essa conversa, primeiramente precisamos estabelecer a diferença entre lucratividade e rentabilidade.

Para entendermos a lucratividade, primeiro precisamos entender o que é o tão famoso e desejado lucro, que de forma simples é dado pela receita de vendas menos deduções (impostos, devoluções e abatimentos), despesas e custos, sem esquecer-se dos tributos federais (IRPJ e CSLL).

Já a Lucratividade é dada em percentual e indica o ganho obtido sobre as vendas realizadas.

Para descobri-la, basta dividir o lucro pelo total das vendas e multiplicar por 100:

LUCRATIVIDADE = (LUCRO LÍQUIDO / RECEITA BRUTA) x 100

Resumindo, a lucratividade nos diz se o negócio está justificando ou não a operação, ou seja, se as vendas são suficientes para pagar os custos e despesas e ainda gerar lucro.

Como a lucratividade é dada como dissemos anteriormente, em percentual, torna-se bastante útil para a comparação de empresas, seja qual for o tamanho da companhia e o seu setor.

Já a rentabilidade nos dá qual é o retorno sobre o investimento que foi feito na empresa em longo prazo.

Seu cálculo também é muito simples, bastando, dividir o lucro líquido pelo capital investido e multiplicar por 100:

RENTABILIDADE = (LUCRO LÍQUIDO / INVESTIMENTO TOTAL) x 100

 Para saber se uma empresa ou mesmo um produto é rentável, é preciso saber se os ganhos obtidos superam, no caso do produto, o investimento feito no estoque dele, ou no caso de uma empresa, o investimento feito na própria empresa.

A verdade é que vender demais não necessariamente é sinônimo de rentabilidade, podendo até camuflar alguma situação mais problemática.

Exemplo disso é se um produto está sendo vendido por um preço e depois é aplicado um desconto a esse preço, isso gera um percentual de aumento nas vendas que pode não ser significativo para o faturamento total das vendas.

Vender muito por um preço baixo pode até reduzir a receita, em vez do efeito contrário.

Por isso é preciso ter cautela na hora de definir estratégias de preço ou promoções, para evitar situações que definitivamente não sejam interessantes para a sobrevivência do negócio.

Saber responder se um investimento trouxe ou não um retorno satisfatório é uma visão mais abrangente, envolve uma percepção quanto à rentabilidade de um negócio ou de uma linha de produtos.

Um produto que fica por muito tempo parado no estoque tem a sua rentabilidade comprometida e não esqueçamos que esse é um dos fatores que se deve levar em consideração na hora de precificar.

Além de levar em conta custos com vendas, posicionamento de concorrentes no mercado e outros fatores que, se não estiverem bem mapeados, podem derrubar  a rentabilidade do produto.

Eis a pergunta que não quer calar: como analisar se um produto ou serviço é realmente rentável ou não?

Afinal, é extremamente importante o cálculo da rentabilidade para saber se vale a pena realizar o investimento em determinados produtos ou serviços.

Mas como fazer isso?

Bem, para analisar a rentabilidade de seus produtos ou serviços é preciso diferenciar:

  1. Por um lado, entre custos fixos e variáveis.
  2. Por outro, dividir os custos fixos em diretos ou atribuíveis ao produto/serviço e indiretos ou não atribuíveis diretamente ao produto.

A divisão de custos lhe permite calcular a margem de contribuição variável: diferença entre o preço de venda e os custos variáreis. A margem de contribuição deve cobrir os custos fixos e o lucro previsto para o produto.

Com essas informações já pode analisar a rentabilidade de cada um dos produtos ou serviços:

  1. Se a margem de contribuição do produto é positiva, permite absorver os custos fixos e gerar uma margem para o lucro esperado. Quanto maior essa margem de contribuição, maior será o lucro desse produto.
  2. Quando a margem de contribuição do produto é igual ao custo fixo associado ao mesmo, não deixa margem para o lucro se considera que está em ponto de equilíbrio.
  3. Se a margem de contribuição não é suficiente para cobrir os custos fixos, a empresa deve tomar medidas a médio prazo para melhorar a rentabilidade (por exemplo, aumentar as vendas, aumentar o preço etc).
  4. Quando a margem de contribuição é negativa, ou seja, os custos variáveis são mais elevados do que o preço de venda, a empresa deve necessariamente dispensar esse produto.

Fique atento(a), avaliar só a lucratividade ou só a rentabilidade pode fazer com que você tenha a impressão falsa de que o empreendimento está indo bem quando na realidade não é bem assim.

Medir corretamente, com apoio de sistemas de gestão é extremamente importante.

Você acompanha essas importantes métricas para o seu negócio?

Bruna Klaumann