Já dizia os nossos saudosos Mamonas Assassinas – “Quanta gente, quanta alegria, a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia”. Da nossa série dos empreendedores que inspiram, sem dúvidas o empreendedor de hoje tem muito a nos ensinar e mostrar que o mundo dá voltas incríveis, basta saber aproveitar a chance que a vida nos dá e agarrá-la com todas as nossas forças.

Samuel Klein nasceu em Lublin, na Polônia, o terceiro de nove irmãos, filho de carpinteiro de família judaica. Aos 19 anos foi preso pelos nazistas e mandado com o pai para o campo de concentração de Majdanek, na Polônia. Sua mãe e cinco irmãos mais novos foram para o campo de extermínio de Treblinka, e Samuel nunca mais os viu. Ao lembrar desses tempos, Samuel afirmava que sua sorte foi ser jovem e forte, pois isso fez com que os nazistas o mandassem para um campo de trabalhos forçados, onde sobreviveu com suas habilidades de carpinteiro, ofício que havia aprendido com o pai.

Samuel se aproveitou de uma pequena distração dos guardas e se escondeu no mato a caminho da Alemanha, sorrateiramente conseguiu fugir e se esconder, porém ficou na Polônia até a guerra acabar, assim que recebeu a notícia que a guerra tinha acabado, foi para Munique na Alemanha para tentar procurar o seu pai.

Já na Alemanha, Samuel fez de tudo um pouco para ganhar a vida, e o seu maior sustento foi a venda de produtos para as tropas aliadas da segunda grande guerra mundial. Após cinco longos anos, juntou um pouco de dinheiro e casou-se com uma jovem alemã, de nome Ana, com quem teve o seu primeiro filho Michel.

Em 1951, Samuel decidiu aventurar-se para a América do Sul levando toda a sua família que havia construído junto. Primeiro, foi para a Bolívia, mas para o azar,  Samuel se deparou mais uma vez com a guerra, o país estava em  plena guerra civil, rapidamente Samuel  mudou o rumo e chegou ao Brasil onde, depois de uma rápida passagem pelo Rio de Janeiro, viajou para São Paulo, instalando-se em São Caetano do Sul. Na bagagem, além da família, trazia o sonho de prosperar em um país onde, principalmente, se podia viver em paz e com tranquilidade sem mais guerras.

Com apenas US$ 6 mil no bolso, e a família para sustentar Samuel comprou uma casa e uma charrete antiga. Com a ajuda de um conhecido que transitava bem pelo comércio do Bom Retiro, reduto dos imigrantes judeus e árabes na década de 50, adquiriu uma carteira de 200 clientes e mercadorias – roupas de cama, mesa e banho. De porta em porta, começou a vender pelas ruas de São Caetano do Sul. Quando alguém dizia que não podia pagar, Samuel logo oferecia para o cliente ficar com o produto e pagar em prestações, tudo no crediário para ficar mais fácil de a pessoa comprar os seus produtos.

Cinco anos depois, em 1957, já tinha capital suficiente para dar mais um passo em direção ao futuro. Comprou sua primeira loja, no centro de São Caetano do Sul, que chamou de “Casa Bahia” em homenagem aos imigrantes nordestinos que haviam se deslocado para a região em busca de trabalho e melhores condições de vida.

Samuel aumentou a variedade de seus produtos e começou a negociar com móveis, colchões de algodão, entre outros itens. A clientela não demorou a frequentar a loja para pagar suas prestações e, lógico, adquirir novas mercadorias. Era o início de um império que foi conquistando cada vez mais clientes e mercados até se transformar na potência dos dias de hoje.

Samuel Klein foi o primeiro empreendedor que dedicou os seus produtos para as classes C e D do Brasil, pois ao contrário do que os comerciantes pensavam esses eram os clientes que eram mais fiéis e pagavam na data certa, pois queriam ter a oportunidade de continuar comprando produtos no crediário em mais vezes, e assim conseguiam comprar o que precisavam.

Ao completar 80 anos, Samuel Klein escreveu sua biografia: “Samuel Klein e a Casas Bahia, uma trajetória de sucesso”. Faleceu em 20 de novembro de 2014, com 91 anos, em São Paulo.

Uma das suas frases mais famosas e impactantes é “A riqueza dos pobres é o nome. O Crédito é uma ciência humana, não exata. Não importa se o cliente é um faxineiro ou um pedreiro, se ele for um bom pagador, a casas Bahia dará crédito para que ele resgate a cidadania e realize os seus sonhos”.

Beijaflor

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